a poesia não serve pra nada


plumas

 

por isso você calada me arrepia

sim

odeio o olhar severo

tudo povoa brutalmente o jeito de fantasiar

 

como me castigam

beijos que não florescem

dissecando o relógio

não nascendo em minha pele

 

borboleta caminha no pôr-do-sol

controla o vento

abrevia a saudade

 

 

tempestade colorida

 

 

pétala torta

com brilho programado

feito as estações   

 



Escrito por João Pedro às 00h07
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fragmentos sexuais

 

a voz do seu mundo perde fôlego na minha indecisão

meu verso metrificado se torna uma metáfora idiota

 

não vale a pena eu me emocionar num aperto de mão

 

você mexe os lábios e liberta uma aquarela de frases

 

não furarei meus dedos com garfos só porque você não foi jantar comigo

 

sempre me acabo e me acho

nunca me perco

sem querer da sua boca



Escrito por João Pedro às 23h25
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