a poesia não serve pra nada


guria da parada de ônibus

 

olha a menina calada

de vestido louco

te noto e desminto

que o dia é pouco

pra buscar verdades

num olho macio

 

ruiva que sorri cantando

num balé safado

sou burro, sou torto

já berro cadenciado

e deixo de ser

um pote vazio

 

não

talvez busque arrepios

não

sou menino parado

sim

já vivo o inesperado

 

num planeta quente e raro

num quadro te vejo e paro

 

sei

que o horizonte é fútil e tonto

mas no meu compasso

não passo do ponto

e me torno um bicho

severo e vadio

                                                          

                                                 



Escrito por joão pedro wapler às 14h18
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pai e mãe na gaveta

 

pega na gaveta um comprimido e

as cinzas que você guardou no porta-parentes

 

não conte para a vovó

o que andaste fazendo de madrugada

 

 

ninguém gosta de ver seus filhos

atirados numa privada



Escrito por joão pedro wapler às 14h16
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