a poesia não serve pra nada - joão pedro


poema verdade

chorei
há três anos
não acontecia
chorei
na frente duma borracharia
escondido
numa lata de lixo
pra não espiarem
minha cabeça
que deixei pra consertar
no sapateiro
chorei
eu era um tigre
expulso
do zoológico da vida
por incompetência afetiva
chorei
por ela que amarra os cadarços do meu tênis
mas não enrrosca suas franjas nas minhas
chorei
ela só acha divertido fumar
ela não desenha pra mim
ela eu amo de mentira
chorei
escasso
como um cachorro que esqueceu onde mora
chorei
mas foi tão delicioso
ser o joão pedro
sem raízes nos pés
mas com tudo de verdadeiro
ao mesmo tempo
estampado na cara
borrada



Escrito por joão pedro às 19h11
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eu quero assim

passear com meu cachorro
numa praia nublada
almoçar com a menina
de lingerie
escrever bobagens pra ela
depois verdades pra mim
ver um filme com tal moça
nas minhas coxas deitada
trepar
capotar no colchão

pronto
o mundo tem jeito
o mundo é perfeito



Escrito por joão pedro às 19h10
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orgulho pela metade

manhã e ela
vizinha de cama
do banho confuso

você não foi
feita pra mofar
na cabeça

onde aborto tudo
enfeitado
e opaco



Escrito por joão pedro às 14h31
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descuido

rebolando até pé
sangrar tarado de mentira
alucinado pela pocahontas
aos dezesseis achei
que fosse elvis
ou sinatra adolescente
cantando aleluia feito
pastor de vira-latas do quintal



Escrito por joão pedro às 14h29
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antiquário

 
racionalizei sua ausência na chuva
e hoje só desenho monstros
com patas macias



Escrito por joão pedro às 22h32
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sodomia

 

a ardência que explora

no sexo breve indiferença

também ancora

um sinônimo de doença

 

o mais repleto estudo

descreverá o fardo

que desminto apesar de tudo

quando perdido em pelos não ardo



Escrito por joão pedro às 17h29
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ator

enxergo no outro
amigo de domingo
a resposta mágica
se o mar não é pra mim



Escrito por joão pedro às 16h59
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close cerebral


pulanacamacozinhapratofeitodinamite



Escrito por joão pedro às 22h58
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mais ou menos

dez
amo
todo mundo menos
um
profundo olá
adeus

 



Escrito por joão pedro às 15h52
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sociedade

vera
valéria
sabia quase tudo
como os mendigos do parquinho
fazia três anos que não abria um livro
fazia três minutos que não abria o sexo



Escrito por joão pedro às 16h30
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princesa nua sentada no trono

o bobo suicidou-se
o rei
fugiu do castelo
a rainha casou
sobrou a princesinha



Escrito por joão pedro às 14h20
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valente

nasceu ontem
no esgoto da rua
uma princesinha
de nome desconhecido

 

 



Escrito por joão pedro às 14h18
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versinho idiota

um a um
dois a dois
sem você
sem nós dois
não tem graça
nada acontece
ninguém chora
ninguém adoece
todos mudam
ficam mudos de vez
não contam história
nem aquelas de era uma vez

 



Escrito por joão pedro às 09h59
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